terça-feira, 14 de dezembro de 2010
quinta-feira, 11 de novembro de 2010
segunda-feira, 22 de março de 2010
segunda-feira, 26 de outubro de 2009
Apresentação
João Manteufel , 33 anos, é diretor de criação e arte, roteirista e tem na comunicação uma arte, seja de que forma for. Formado em comunicação social em 1996, trabalha com comunicação há 15 anos, criando, escrevendo e dirigindo. Possui mais de 40 prêmios em propaganda, 3 em poesia ( inclusive sendo o quarto lugar no concurso de poesias da língua portuguesa no Reino Unido), e finalista do Contos do Rio 2008, do Jornal o Globo. Esse ano teve peças suas expostas na exposição “ Paredes. Arte de Rua”, no salão nobre do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro. Trabalhou em agências de propaganda no Brasil e em Londres. Desde 2006 retornou ao Brasil, se fixando no Rio de Janeiro. Desde então trabalha na agência Scalla, com 26 anos no mercado carioca. Em 2009 realizou trabalhos paralelos como campanha de lançamento do filme Paulo Gracindo- O Bem amado de Gracindo Junior, Fumando Espero de Adriana Dutra, Festival de Cinema Brasileiro de Miami, Festival de Cinema Brasileiro de Nova Iorque, Festival de Cinema Brasileiro de Londres, Festival de Cinema Brasileiro de Buenos Aires, Festival de Cinema Brasileiro de Roma, Festival de Cinema Brasileiro de Canudos, Festival Brasileiro de Madrid, Festival de Cinema de Barcelona, Festival de Cinema de Juíz de Fora e Mercocidades entre outros.
quinta-feira, 15 de outubro de 2009
quarta-feira, 14 de outubro de 2009
sexta-feira, 2 de outubro de 2009
quinta-feira, 20 de agosto de 2009
terça-feira, 14 de abril de 2009
sexta-feira, 23 de janeiro de 2009
Procura-se
Procuro pensadores. Pensadores que saibam que o futuro depende do agora. Pensadores que vão fazer da violência uma página triste de um livro de história. Procuro pensadores que farão a fome visitar apenas o estômago daqueles que querem perder peso. Procuro pensadores sabedores que só o voto pode mudar essa sádica política, e só a politização das massas acaba com certos currais. Procuro quem pense o aquecimento global como um problema sério, não resolvido apenas com créditos de carbono. Pensadores que respeitem a liberdade de ser livre. Pensadores que façam das suas ações uma representação divina. Procuro quem pense em arte, quem pense no trânsito, procuro quem pense em novas tecnologias para um bem comum. Procuram-se pensadores. Pensadores que transformem a utopia num sonho realizável. E parece que encontrei muitos.
Pedro
Meu nome é Pedro.Mas pode me chamar de José, Antonio ou tantos outros milSou apenas mais um na violentada pátria amada, e idolatrda chamada Brasil.
Violencia que vem de tempo...Desde quando Cabral nos descobriu guaido pelos poderes dos ventos..... E com bandeirantes, igreja, gripe e descontento....Massacrou aqui uma nação.
Nação....Nação formada por xavantes, xingus, tchucarammaes,Morubixabas insolentes perante o fogo dos jesuitas....Que pela força ou pela inocência trocaram a beleza por espelhos...E a liberdade pelo perdão.
Perdão.....Palavra que assola a cidadania...Nos povoando com ladrões, escravizando irmãos, deixando a terra da vida vazia....Capitanias hereditárias, feudalismo senzala, covardia.....Exploração de ouro, diamantes, pau brasil, a favor da diabólica monarquia....Que despertaram o desejo de independência ou morte...Como Dom Pedro e muitos outros anjos diriam....Acabaram com as riquezs, com gerações, mas não acabaram com a nossa espernça e alegria...
Alegria que não durou muito tempo...Veio a república, Getúlio, Juscelino, o golpe militar, a tal da guerra fria....E o Brasil ainda não era nada daquilo que a gente queria....Plano funaro, os dois fernandos, a esperança venceu o medo, e o barbudo, quem diria, transformou nosso país em refém da hipocrisia...
Hipocrisia.....Que apodrece todas as instâncias...Granja do Torto, Piratini ou Casa Branca..Onde a insanidade se confunde com o próprio medo...Onde números, grades e código escondem os mais negros segredos..Segredos que rejem o mundo como uma divina comédia recheada de amargos temperos...
Mundo, planeta água, planeta terra...Mundo que nos fornece matéria-prima divina....E agora tenta se livrar do câncer...Com Tsunamis, secas na amazônia, Katrinas...Efeito da produção em massa, da burguesia minoria...Do relógio Rolex, casaco de pele, terno armani, sorriso perfeito, com combustível cocaína, vendendo indultos em todas esquinas, sustentando o caos a base da anarquia...onde na favela traficantes são deuses, e no asfalto o calmante da familia.....
Anarquia do medo, anarquia da fome, anarquia do fim..Onde carros blindados são vítimas de si mesmo, com secretárias prostituras e mulheres cheias de jóias nos dedos.... Sustentando o morro com o vício que domina, olhando o moleque na rua, fome no prato, a noite vazia.... Deixando pro resto apenas o desdém.Sou esse menino, e meu nome é Pedro.Mas podem me chamar de Zé.Zé ninguém.
Violencia que vem de tempo...Desde quando Cabral nos descobriu guaido pelos poderes dos ventos..... E com bandeirantes, igreja, gripe e descontento....Massacrou aqui uma nação.
Nação....Nação formada por xavantes, xingus, tchucarammaes,Morubixabas insolentes perante o fogo dos jesuitas....Que pela força ou pela inocência trocaram a beleza por espelhos...E a liberdade pelo perdão.
Perdão.....Palavra que assola a cidadania...Nos povoando com ladrões, escravizando irmãos, deixando a terra da vida vazia....Capitanias hereditárias, feudalismo senzala, covardia.....Exploração de ouro, diamantes, pau brasil, a favor da diabólica monarquia....Que despertaram o desejo de independência ou morte...Como Dom Pedro e muitos outros anjos diriam....Acabaram com as riquezs, com gerações, mas não acabaram com a nossa espernça e alegria...
Alegria que não durou muito tempo...Veio a república, Getúlio, Juscelino, o golpe militar, a tal da guerra fria....E o Brasil ainda não era nada daquilo que a gente queria....Plano funaro, os dois fernandos, a esperança venceu o medo, e o barbudo, quem diria, transformou nosso país em refém da hipocrisia...
Hipocrisia.....Que apodrece todas as instâncias...Granja do Torto, Piratini ou Casa Branca..Onde a insanidade se confunde com o próprio medo...Onde números, grades e código escondem os mais negros segredos..Segredos que rejem o mundo como uma divina comédia recheada de amargos temperos...
Mundo, planeta água, planeta terra...Mundo que nos fornece matéria-prima divina....E agora tenta se livrar do câncer...Com Tsunamis, secas na amazônia, Katrinas...Efeito da produção em massa, da burguesia minoria...Do relógio Rolex, casaco de pele, terno armani, sorriso perfeito, com combustível cocaína, vendendo indultos em todas esquinas, sustentando o caos a base da anarquia...onde na favela traficantes são deuses, e no asfalto o calmante da familia.....
Anarquia do medo, anarquia da fome, anarquia do fim..Onde carros blindados são vítimas de si mesmo, com secretárias prostituras e mulheres cheias de jóias nos dedos.... Sustentando o morro com o vício que domina, olhando o moleque na rua, fome no prato, a noite vazia.... Deixando pro resto apenas o desdém.Sou esse menino, e meu nome é Pedro.Mas podem me chamar de Zé.Zé ninguém.
2028
Olhava atentamente as cores se misturando. Tudo passava muito rápido. Nem conseguia acompanhar a velocidade do a-z-u-l e do b-r-a-n-c-o daquele passarinho gigante, de bico engraçado, que voava baixinho pela Rua Grande. Essa Rua Grande tinha aparecido uns dois aniversários atrás, bem no meio de uma lagoa muito bonita, a Lagoa Rodrigo não sei das quantas. Meu Vovô falava que esse S-a-m-b-r-ó-d-o-m-o era uma verruga no lindo rosto do Rio. Eu não entendia muito bem o que verruga queria dizer, mas também não me importava. Sem a Rua Grande não existiriam esses tubos, que minha maninha mais velha chama de elevador. Eu achava um barato: a gente subia e descia muito rápido, mas não deixavam a gente brincar mais de uma vez. Mamãe me fez subir mais e fiquei impressionado: estava sentado numa cadeira muito mais alta que as que sentava para não derramar papinha. Eu abria e fechava os braços tentando imitar o passarinho gigante, que voava até uma estátua de braços abertos. Minha maninha mais velha começou a bater palminhas. C-a-r-n-a-v-a-l, ela dizia. Não queria bater palminhas, mas também não tem importância. Ela sempre me dava muitos beijinhos, fazia cosquinha no meu pé, e assoprava meu ouvido. Quando meus pais saiam de casa então, nem se fala. Ela puxava fumaça de um negócio com cheiro estranho, e aí me beijava tanto que me deixava todo babado. Enquanto minha irmã estragava minha coreografia, entrou na rua grande um monte de robôs gigantes. Aquilo fez que todas as pessoas se levantassem e batessem palmas. Mais palmas do que quando a gente canta o parabéns. Não gostava daqueles robôs gigantes. Tinham umas tias sem roupas com os mamás balançando, do mesmo jeito que minha mãe ficava quando um tiozinho ia de moto lá em casa. Ele era esperto: só machucava a Mamãe quando Papai não estava e antes da minha maninha mais velha voltar da escola. Toda vez que ele aparecia deixava Mamãe com muita dor, ela gritava tanto dentro do quarto que eu nem conseguia dormir. A lembrança daquele tiozinho me deixava com tanta raiva que comecei a chorar. E Mamãe a me balançar. Mamãe não parou de me balançar nem quando entraram umas vovós com vestido branco, rodando sem parar, em cima de um barco. Embaixo vi vários amiguinhos para brincar, todos sem camiseta, sem tênis, sem mamãe, sendo arrastados por uns tios. Também queria tirar meus tênis. Mamãe nos levantou quando uns robôs menores, agitando os braços ao mesmo tempo, soltaram um som que todo mundo começou a dançar. Até mamãe começou a dançar comigo. Papai se animou tanto que dançou com a Dinda que olhava como se ele tivesse feito maldade. Mamãe não gostou nem que papai começou a dançar, muito menos da cara da Dinda. Ela me largou na cadeira dela, pegou o aparelho que eu adorava morder e eles adoravam falar e saiu sozinha, dizendo que tinha mais o que fazer, que ia se cuidar. Papai me deu um sorvete falando que já voltava, e foi atrás da mamãe, acho que pra fazer curativo nos dodóis que o tiozonho fazia nela. Parei de chorar. Adorava me sujar com sorvete. Além do mais minha maninha mais velha estava comigo. E ela sempre me enchia de beijinhos quando puxava fumaça de um negócio com cheiro estranho, como ela estava fazendo com um moço naquele momento. Só que dessa vez ela não me deixou babado. Nem me deu beijinho. Dois tios, que mais pareciam robôs vestindo a-z-u-l e b-r-a-n-c-o, pegaram minha maninha mais velha e o moço. Pegaram tão forte que minha maninha mais velha nem conseguiu me levar. Talvez era hora de ir embora e ninguém tinha me avisado. Tirei rapidinho o tênis que estava me apertando. Parece que vi minha maninha lá em baixo. Desci da cadeira. Fiquei maravilhado com a imensidão de cores de saias e bermudas que minha visão atingia. Com o calor, arranquei minha camiseta. Vi os tubos que não deixavam brincar mais de uma vez. Talvez lá encontrasse a mamãe e o papai, talvez lá ganhasse mais sorvete. Um gigante tio que parecia um robô vestido de a-z-u-l e b-r-a-n-c-o pegou bem forte no meu braço, falando que ali não era meu lugar. Eu sabia que o meu lugar era lá nas cadeiras voadoras, mas nem imaginava que ele ficaria tão bravo a ponto de me arrastar pelas orelhas dali.
Olhava atentamente as cores se misturando. Tudo passava muito rápido. Nem conseguia acompanhar a velocidade do a-z-u-l e do b-r-a-n-c-o do céu entrando como uma faca cortando a escuridão. Aos poucos identificava alguns amiguinhos para brincar. Pensei como as mamães deles eram bacanas deixando as crianças saírem sem camiseta, sem tênis, sem tomar banho, sem maninha mais velha para acompanhar. E logo naquele dia ninguém queria jogar. Ninguém queria brincar. E éramos tantos naquele carro grande que dava até pra jogar futebol. Quando o homem robô parou o carro, vi que meus novos melhores amigos choravam. Lembrei que mamãe iria ficar muito brava por estar me demorando e comecei a chorar também. Acho até que meus novos melhores amigos também estivessem chorando pela mesma razão. Levei um puxão forte nos braços e fui jogado num canto com outros novos amiguinhos para sempre. O tio com jeito de robô sacou uma arminha enorme daquelas que a gente brinca de polícia e ladrão e apontou pra mim dizendo que "essa raça um dia tem que acabar". Fechei os olhos com medo da cara de malvado do tio e prometi naquela hora para meu anjo da guarda que nunca mais sairia do meu lugar. Sem querer pensei na mamãe, pensei no papai, pensei nas cosquinhas que minha maninha mais velha fazia. Ouvi um estalo, mas nem cheguei a abrir os olhos. Eu apenas sorri.
Olhava atentamente as cores se misturando. Tudo passava muito rápido. Nem conseguia acompanhar a velocidade do a-z-u-l e do b-r-a-n-c-o do céu entrando como uma faca cortando a escuridão. Aos poucos identificava alguns amiguinhos para brincar. Pensei como as mamães deles eram bacanas deixando as crianças saírem sem camiseta, sem tênis, sem tomar banho, sem maninha mais velha para acompanhar. E logo naquele dia ninguém queria jogar. Ninguém queria brincar. E éramos tantos naquele carro grande que dava até pra jogar futebol. Quando o homem robô parou o carro, vi que meus novos melhores amigos choravam. Lembrei que mamãe iria ficar muito brava por estar me demorando e comecei a chorar também. Acho até que meus novos melhores amigos também estivessem chorando pela mesma razão. Levei um puxão forte nos braços e fui jogado num canto com outros novos amiguinhos para sempre. O tio com jeito de robô sacou uma arminha enorme daquelas que a gente brinca de polícia e ladrão e apontou pra mim dizendo que "essa raça um dia tem que acabar". Fechei os olhos com medo da cara de malvado do tio e prometi naquela hora para meu anjo da guarda que nunca mais sairia do meu lugar. Sem querer pensei na mamãe, pensei no papai, pensei nas cosquinhas que minha maninha mais velha fazia. Ouvi um estalo, mas nem cheguei a abrir os olhos. Eu apenas sorri.
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segunda-feira, 3 de novembro de 2008
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